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POLONESES!

 

Presença e Contribuição em Santa Catarina

 

 

Brusque é o berço da imigração polonesa no Brasil, pois foi neste município catarinense que em agosto de 1869, chegaram as primeiras famílias ao país, provenientes da aldeia de Siolkowice, próximo a cidade de Opole, região conhecida por Silésia.

 

Entretanto, a cidade de Joinville já contava a partir de 1851 com a presença de Jerônimo Durski, músico e professor, um dos fundadores da Colônia Dona Francisca e que viveu por muito tempo no litoral catarinense, especificamente na cidade de Tijucas. Posteriormente se radicou no vizinho Estado do Paraná e mais tarde foi intitulado Pai das Escolas Polonesas no Brasil. Da mesma forma a cidade de Gaspar recebeu no ano de 1867 o Padre Antônio Zielinski e Blumenau em 1868 recebeu Edmundo Wós Saporski como auxiliar de inspetor na construção de uma estrada e que posteriormente foi o responsável pela promoção da colonização polonesa para o Brasil Meridional.

 

Verifica-se que a presença pioneira dos poloneses, na região, norte em especial na cidade de São Bento do Sul, é evidenciada por historiadores quando afirmam que a partir do ano de 1873 obtiveram seus lotes, diversas famílias de imigrantes poloneses que foram seguidas por outras durante o ano de 1875.

 

 Importa destacar também, que a colonização polonesa na região de Blumenau acolheu os primeiros poloneses no ano de 1877 que se estabeleceram no atual município de Indaial, especialmente nas localidades de Caminho de Areias - Sandweg, Warnów, Ribeirão das Pedras e Polakia.

 

Já nos municípios de Benedito Novo, Doutor Pedrinho, Rio dos Cedros e Timbó é impressionante quando se observa no Livro do Tombo da Paróquia de Rodeio que no ano de 1890 um bom número de imigrantes polacos, com pouca consideração e atenção, foram introduzidos nos territórios de Ypiranga, Pinheiro, Travessão do Tigre, Josefina, Milaneses, Carolina, todos os lugares altos, montanhosos e de difícil acesso e poucos férteis.

 

A epopéia da imigração polonesa é marcante principalmente em terras catarinense na Região do Planalto Norte e também no Vale do Rio Itapocú, especialmente na cidade de Jaraguá do Sul e Massaranduba e no Alto Vale do Rio Itajaí, onde referenciamos os municípios de Santa Terezinha, Taió, Rio do Campo, Benedito Novo, Rio dos Cedros e no Vale do Rio Tijucas, destacando-se os municípios de Major Gercino e Nova Trento e no Sul do Estado, principalmente Criciúma, Orleans e Grão-Pará.

 

No Oeste, municípios como Chapecó, Nova Erechim e São Lourenço do Oeste são referências e no Extremo-oeste catarinense despontam as cidades de Descanso, Belmonte e São Miguel do Oeste.

 

Torna-se oportuno destacar que a Ilha de Santa Catarina, abrigou também um contingente de imigrantes poloneses.  Em 1888, os livros de registro da Paróquia Nossa Senhora de Desterro, a Catedral de Florianópolis, assinalam o início da presença de imigrantes poloneses. Assim a cidade de Florianópolis, capital dos catarinenses, no limiar do século XIX e no início do século XX, também já convivia com várias famílias de origem polonesa, cujos sobrenomes com sons sibilantes já ciciavam nas rodas sociais, culturais e comerciais da cidade, inclusive um núcleo expressivo de famílias fundou uma associação cultural em 1899, a Sociedade 3 de Maio.

 

Neste contexto, historiadores também já comprovaram a influência dos imigrantes poloneses no início da indústria têxtil em Santa Catarina, quando no ano de 1889 por meio do trabalho empreendido pelos Tecelões de Lódz, deixaram como legado na cidade de Brusque o título de “Berço da Fiação Catarinense”.

 

Porém, temos que destacar que é inegável a colaboração para o fortalecimento econômico, social e cultural das cidades do Planalto Norte Catarinense, quando para efetivação da Colônia Lucena, atual município de Itaiópolis, localizada no antigo território do Contestado, hoje norte de Santa Catarina, ocorreram no ano de 1891 no auge da “febre brasileira”, a presença e contribuição de imigrantes poloneses. 

 

É imperioso que tenhamos conhecimento que este grupo de imigrantes poloneses, sofreu sérias dificuldades quando foram encaminhados para esta Colônia, que além da mata fechada, seus lotes foram localizados nos antigos cemitérios dos índios botocudos, portanto terras consideradas sagradas pelos índios, o que os indignou sobremaneira, multiplicando-se desde então os ataques contra os colonos poloneses ali instalados.

 

Mesmo assim, nesta região formaram-se prósperos municípios como Itaiópolis, Papanduva, Canoinhas, Porto União, Irineópolis, Bela Vista do Toldo, Monte Castelo, Major Vieira, Rio Negrinho e Campo Alegre.

 

Neste espaço geográfico, os colonos poloneses em que pese as diversas dificuldades, introduziram o cultivo do centeio e da batata e do carroção varsoviano, utilizado no transporte de cereais para as cooperativas e centros urbanos e contribuíram decisivamente para a construção e manutenção principalmente de ferrovias que alavancaram o progresso e o desenvolvimento regional.

 

Convém ressaltar também, que a “Sociedade Cultural Polonesa”, a mais antiga em atividade no Estado de Santa Catarina, então denominada "Sociedade Agrícola Estanislau Wojciekowski" foi fundada na cidade de Canoinhas em 5 de setembro de 1924 e efetivamente continúa desempenhando importante função social e cultural naquela região.

 

Com esta garra e determinação, de forma ousada e criativa introduziram também o cultivo e produção de arroz irrigado na cidade de Massaranduba, da produção de peras na comunidade de Alto-Paraguaçu no município de Itaiópolis, de vinhos nas comunidades de Nova Galícia e Pinheiral no município de Major Gercino, sem esquecer do arrojo e competência na instalação do maior complexo cerâmico da América Latina, na atual cidade de Cocal do Sul, através da família Gaidzinski, criadora da Cerâmica Eliane e acima de tudo orgulhosos com a Polska Orkiestra w Brazylii de São Bento do Sul, única no gênero no Brasil.

 

Destaca-se também entre as personalidades que contribuíram para o desbravamento, colonização e progresso das cidades de Grão Pará e Orleans no Sul do Estado, o ilustre polonês Etienne Stawiarski, diretor da Empresa de Terras e Colonização, cuja direção assumiu em 1895, mantendo-se no cargo por mais de 45 anos. Foi considerado um “sábio” vivendo na floresta, decisivamente contribuiu para o florescimento das comunidades polonesas do Chapadão, Linha Antunes Braga e Braço Esquerdo.

 

Dignas de elogios a dedicação e a competência dos imigrantes poloneses que se estabeleceram na comunidade de Linha Batista em 1890 no então município de Criciúma, criando escolas, cooperativas, indústrias, fomentando o comércio local e que desde 1975 vem mantendo o Grupo Folclórico Polonês “Orzel Bialy”, lenda viva da nossa cultura.

 

Pode-se afirmar que esse grupo folclórico da cultura polonesa, além de preservá-la e difundí-la, desempenha um extraordinário trabalho de inclusão social, para tanto foi agraciado no ano de 1999 com a inauguração do “Centro Cultural Octávia Búrigo Gaidzinski”, espaço detalhadamente construído com apoio incondicional da empresa ELIANE – Revestimentos Cerâmicos.

 

Mais recentemente, com muita criatividade, ousadia e visão de futuro, estabeleceram parceria para a instalação do “Instituto Mazowsze do Brasil”, ou seja, uma filial da “Escola Mazowsze”, ícone da música e dança folclórica polonesa em terras catarinense e brasileira.

 

Além desse envolvimento e contribuição sócio-cultural, é visível a participação social e econômica da colonização polonesa no Oeste e Extremo-Oeste catarinense quando as primeiras famílias que vieram para Chapecó, Descanso, Belmonte, União do Oeste, Faxinal dos Guedes, Itá, Mondaí, São Lourenço do Oeste e Nova Erechim vislumbravam a possibilidade de criar uma “nova terra”, um “novo mundo”, motivados principalmente na reconstrução de espaços geográficos envolvendo-se inicialmente numa economia baseada na policultura, no artesanato doméstico explorado pela mão-de-obra familiar, ou seja, vieram em busca da melhoria do padrão sócio-econômico e cultural, mantendo a família unida devido à fartura de terras.

 

Assim, a presença da etnia polonesa em Chapecó e região se faz sentir na década de 20 do século XX com o estabelecimento de descendentes de imigrantes poloneses, oriundos do Estado do Rio Grande do Sul, que se dedicaram à agricultura, pecuária e plantio de erva mate, tornando-se inclusive produtores de grande expressão, constituindo uma indústria de erva mate, a Ervateira Cavalo Branco, que juntamente com outras famílias pioneiras que chegaram nas décadas de 30, 40 e 50 atuaram destacadamente também no comércio local.

 

É importante destacar que o clero polonês desempenhou importante papel na sustentabilidade da cultura polonesa entre os imigrantes e colaborou decisivamente em todos os aspectos, não se limitando aos fins pastorais. Essa visão dominante na literatura especializada é reforçada por vários historiadores quando afirmam que graças ao trabalho da Igreja católica, quando ser polonês era ser católico, os imigrantes puderam manter seus valores familiares e culturais, através dos Padres Vicentinos, Salesianos e Diocesanos, todos vindos da Polônia, que deram atendimento espiritual.

 

Como é sabido, o Estado Polonês renasceu quando no dia 11 de Novembro de 1918, a Polônia tornou-se um país independente, livre e soberano, fazendo com que a bandeira branca e vermelha voltasse a tremular nos pavilhões do mundo inteiro. Porém, a novel nação não tinha as condições econômicas adequadas para fornecer ajuda às necessidades do imigrante polonês no Brasil e por via de conseqüência nos demais países. Entretanto, deve-se registrar que esta essa ajuda, quanto existiu era com freqüência dirigida não para satisfação das necessidades do corpo, mas do espírito: concretamente, para manter o espírito de ser polonês.

 

Importa destacar que neste contexto, poucos saberiam sobre a Polônia se Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, não tivesse envergado a mitra papal e viajado pelo mundo com seu carisma. O fato reacendeu a auto-estima dos poloneses no mundo inteiro e dos que vivem em solo brasileiro e catarinense.

 

Os descendentes de poloneses, radicados em Santa Catarina e no Brasil, jamais esmoreceram, assim como seus compatriotas que reconstruíram das cinzas cidades medievais, preservando a nação e a cultura polonesa, ao som de sonatas, polanaieses e mazurkas, compostas pelo inigualável compositor Fréderic Chopin, ou ainda da contribuição visionária para a ciência do astrônomo polonês Nicolau Copérnico e dos ideais de liberdade do Sindicado Solidariedade conduzido pelo valente operário Lech Walesa.

 

Artigo escrito por:

Nazareno Dalsasso Angulski

Pesquisador da Temática Polonesa em Santa Catarina

 

Para a TOWARZYSTWO POLSKA

Em 24-04-2010

 

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