POLONESES!
Presença e Contribuição
Brusque é o berço da imigração
polonesa no
Entretanto, a cidade de
Joinville já contava a partir de 1851 com a presença de Jerônimo Durski, músico
e professor, um dos fundadores da Colônia Dona Francisca e que viveu por muito
tempo no litoral catarinense, especificamente na cidade de Tijucas.
Posteriormente se radicou no vizinho Estado do Paraná e mais tarde foi
intitulado Pai das Escolas Polonesas no
Verifica-se que a presença
pioneira dos poloneses, na região, norte em especial na cidade de São Bento do
Sul, é evidenciada por historiadores quando afirmam que a partir do ano de 1873
obtiveram seus lotes, diversas famílias de imigrantes poloneses que foram seguidas
por outras durante o ano de 1875.
Importa destacar também, que a colonização
polonesa na região de Blumenau acolheu os primeiros poloneses no ano de 1877
que se estabeleceram no atual município de Indaial, especialmente nas
localidades de Caminho de Areias - Sandweg, Warnów, Ribeirão das Pedras e
Polakia.
Já nos municípios de Benedito
Novo, Doutor Pedrinho, Rio dos Cedros e Timbó é impressionante quando se
observa no Livro do Tombo da Paróquia de Rodeio que no ano de 1890 um bom
número de imigrantes polacos, com pouca consideração e atenção, foram
introduzidos nos territórios de Ypiranga, Pinheiro, Travessão do Tigre,
Josefina, Milaneses, Carolina, todos os lugares altos, montanhosos e de difícil
acesso e poucos férteis.
A epopéia da imigração polonesa
é marcante principalmente em terras catarinense na Região do Planalto Norte e
também no Vale do Rio Itapocú, especialmente na cidade de Jaraguá do Sul e
Massaranduba e no Alto Vale do Rio Itajaí, onde referenciamos os municípios de
Santa Terezinha, Taió, Rio do Campo, Benedito Novo, Rio dos Cedros e no Vale do
Rio Tijucas, destacando-se os municípios de Major Gercino e Nova Trento e no
Sul do Estado, principalmente Criciúma, Orleans e Grão-Pará.
No Oeste, municípios como
Chapecó, Nova Erechim e São Lourenço do Oeste são referências e no
Extremo-oeste catarinense despontam as cidades de Descanso, Belmonte e São
Miguel do Oeste.
Torna-se oportuno destacar que
a Ilha de Santa Catarina, abrigou também um contingente de imigrantes
poloneses. Em 1888, os livros de
registro da Paróquia Nossa Senhora de Desterro, a Catedral de Florianópolis,
assinalam o início da presença de imigrantes poloneses. Assim a cidade de
Florianópolis, capital dos catarinenses, no limiar do século XIX e no início do
século XX, também já convivia com várias famílias de origem polonesa, cujos
sobrenomes com sons sibilantes já ciciavam nas rodas sociais, culturais e
comerciais da cidade, inclusive um núcleo expressivo de famílias fundou uma
associação cultural em
Neste contexto, historiadores
também já comprovaram a influência dos imigrantes poloneses no início da
indústria têxtil
Porém, temos que destacar que é
inegável a colaboração para o fortalecimento econômico, social e cultural das
cidades do Planalto Norte Catarinense, quando para efetivação da Colônia
Lucena, atual município de Itaiópolis, localizada no antigo território do
Contestado, hoje norte de Santa Catarina, ocorreram no ano de 1891 no auge da
“febre brasileira”, a presença e contribuição de imigrantes poloneses.
É imperioso que tenhamos
conhecimento que este grupo de imigrantes poloneses, sofreu sérias dificuldades
quando foram encaminhados para esta Colônia, que além da mata fechada, seus
lotes foram localizados nos antigos cemitérios dos índios botocudos, portanto
terras consideradas sagradas pelos índios, o que os indignou sobremaneira,
multiplicando-se desde então os ataques contra os colonos poloneses ali
instalados.
Mesmo assim, nesta região
formaram-se prósperos municípios como Itaiópolis, Papanduva, Canoinhas, Porto
União, Irineópolis, Bela Vista do Toldo, Monte Castelo, Major Vieira, Rio
Negrinho e Campo Alegre.
Neste espaço geográfico, os
colonos poloneses em que pese as diversas dificuldades, introduziram o cultivo
do centeio e da batata e do carroção varsoviano, utilizado no transporte de cereais
para as cooperativas e centros urbanos e contribuíram decisivamente para a
construção e manutenção principalmente de ferrovias que alavancaram o progresso
e o desenvolvimento regional.
Convém ressaltar também, que a
“Sociedade Cultural Polonesa”, a mais antiga em atividade no Estado de Santa
Catarina, então denominada "Sociedade Agrícola Estanislau
Wojciekowski" foi fundada na cidade de Canoinhas em 5 de setembro de 1924
e efetivamente continúa desempenhando importante função social e cultural naquela
região.
Com esta garra e determinação,
de forma ousada e criativa introduziram também o cultivo e produção de arroz
irrigado na cidade de Massaranduba, da produção de peras na comunidade de
Alto-Paraguaçu no município de Itaiópolis, de vinhos nas comunidades de Nova
Galícia e Pinheiral no município de Major Gercino, sem esquecer do arrojo e
competência na instalação do maior complexo cerâmico da América Latina, na
atual cidade de Cocal do Sul, através da família Gaidzinski, criadora da
Cerâmica Eliane e acima de tudo orgulhosos com a Polska Orkiestra w Brazylii de
São Bento do Sul, única no gênero no
Destaca-se também entre as
personalidades que contribuíram para o desbravamento, colonização e progresso
das cidades de Grão Pará e Orleans no Sul do Estado, o ilustre polonês Etienne
Stawiarski, diretor da Empresa de Terras e Colonização, cuja direção assumiu em
1895, mantendo-se no cargo por mais de 45 anos. Foi considerado um “sábio”
vivendo na floresta, decisivamente contribuiu para o florescimento das
comunidades polonesas do Chapadão, Linha Antunes Braga e Braço Esquerdo.
Dignas de elogios a dedicação e
a competência dos imigrantes poloneses que se estabeleceram na comunidade de
Linha Batista em 1890 no então município de Criciúma, criando escolas,
cooperativas, indústrias, fomentando o comércio local e que desde 1975 vem
mantendo o Grupo Folclórico Polonês “Orzel Bialy”, lenda viva da nossa cultura.
Pode-se afirmar que esse grupo
folclórico da cultura polonesa, além de preservá-la e difundí-la, desempenha um
extraordinário trabalho de inclusão social, para tanto foi agraciado no ano de
1999 com a inauguração do “Centro Cultural Octávia Búrigo Gaidzinski”, espaço
detalhadamente construído com apoio incondicional da empresa ELIANE – Revestimentos
Cerâmicos.
Mais recentemente, com muita
criatividade, ousadia e visão de futuro, estabeleceram parceria para a
instalação do “Instituto Mazowsze do
Além desse envolvimento e
contribuição sócio-cultural, é visível a participação social e econômica da
colonização polonesa no Oeste e Extremo-Oeste catarinense quando as primeiras
famílias que vieram para Chapecó, Descanso, Belmonte, União do Oeste, Faxinal
dos Guedes, Itá, Mondaí, São Lourenço do Oeste e Nova Erechim vislumbravam a
possibilidade de criar uma “nova terra”, um “novo mundo”, motivados
principalmente na reconstrução de espaços geográficos envolvendo-se inicialmente
numa economia baseada na policultura, no artesanato doméstico explorado pela
mão-de-obra familiar, ou seja, vieram em busca da melhoria do padrão
sócio-econômico e cultural, mantendo a família unida devido à fartura de
terras.
Assim, a presença da etnia
polonesa em Chapecó e região se faz sentir na década de 20 do século XX com o
estabelecimento de descendentes de imigrantes poloneses, oriundos do Estado do
Rio Grande do Sul, que se dedicaram à agricultura, pecuária e plantio de erva
mate, tornando-se inclusive produtores de grande expressão, constituindo uma
indústria de erva mate, a Ervateira Cavalo Branco, que juntamente com outras
famílias pioneiras que chegaram nas décadas de 30, 40 e 50 atuaram
destacadamente também no comércio local.
É importante destacar que o
clero polonês desempenhou importante papel na sustentabilidade da cultura
polonesa entre os imigrantes e colaborou decisivamente em todos os aspectos,
não se limitando aos fins pastorais. Essa visão dominante na literatura
especializada é reforçada por vários historiadores quando afirmam que graças ao
trabalho da Igreja católica, quando ser polonês era ser católico, os imigrantes
puderam manter seus valores familiares e culturais, através dos Padres
Vicentinos, Salesianos e Diocesanos, todos vindos da Polônia, que deram
atendimento espiritual.
Como é sabido, o Estado Polonês
renasceu quando no dia 11 de Novembro de
Importa destacar que neste
contexto, poucos saberiam sobre a Polônia se Karol Wojtyla, o Papa João Paulo
II, não tivesse envergado a mitra papal e viajado pelo mundo com seu carisma. O
fato reacendeu a auto-estima dos poloneses no mundo inteiro e dos que vivem em
solo brasileiro e catarinense.
Os descendentes de poloneses,
radicados em Santa Catarina e no Brasil, jamais esmoreceram, assim como seus
compatriotas que reconstruíram das cinzas cidades medievais, preservando a
nação e a cultura polonesa, ao som de sonatas, polanaieses e mazurkas,
compostas pelo inigualável compositor Fréderic Chopin, ou ainda da contribuição
visionária para a ciência do astrônomo polonês Nicolau Copérnico e dos ideais
de liberdade do Sindicado Solidariedade conduzido pelo valente operário Lech
Walesa.
Artigo escrito por:
Nazareno Dalsasso Angulski
Pesquisador da Temática Polonesa
Para a TOWARZYSTWO POLSKA
Em 24-04-2010
Veja também "MAZOWSZE"
– UM SONHO QUE SONHAMOS JUNTOS