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TOWARZYSTWO
POLSKA
SOCIEDADE POLÔNIA
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POLONESES NA ILHA DE SANTA CATARINA - FLORIANÓPOLIS
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Nazareno Dalsasso Angulski Pesquisador da Temática Polonesa
em Santa Catarina
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A
colonização oficial do Estado de Santa Catarina, sob a orientação
do Governo Imperial, teve a participação de colonos de várias
nacionalidades, que penetraram em massa desde a época da Independência
do Brasil. Câmara (1940, p. 20) destaca que,
"[...]
de todas as etnias, de todas as nacionalidades, aqui aportaram
elementos, fixando-se uns, regressando outros. Maiores contingentes
numéricos ofereceram, no entanto, alemães, italianos, poloneses,
austríacos e russos, revelando concomitantemente maior capacidade de
fixação."
A
este mosaico de povos devemos acrescentar os gregos, japoneses, árabes,
tchecos, húngaros, espanhóis, holandeses, belgas, franceses e
letos. A herança deixada pelos colonizadores, ao lado da cultura indígena
e afra, confere a Santa Catarina uma identidade fundamentada na
diversidade.
Ressalta-se
que a corrente imigratória no Estado de Santa Catarina, não está
ligada somente ao processo de povoamento do campo. Os imigrantes também
se instalaram em áreas urbanas, mesmo que minoritariamente, como é
caso da cidade de Florianópolis, representando um papel importante
na composição dos povos que contribuíram decisivamente para o seu
desenvolvimento.
Importa
destacar, que inicialmente as condições excelentes de ancoragem nas
duas baías serviram de ponto estratégico para grandes embarcações,
tornando o litoral rota obrigatória dos navegadores com destino ao
Atlântico Sul e à Baía da Prata, desde o século XVI.
A
fundação da Vila de Nossa Senhora de Desterro no século XVII, pelo
bandeirante paulista Francisco Dias Velho, marcou o início da ocupação
do centro da capital dos catarinenses.
Em
1738 tornou-se sede da Capitania de Santa Catarina, adquirindo
considerável importância comercial com a chegada dos portugueses
provenientes das Ilhas Açores e Madeira, que consolidaram o processo
de seu povoamento. Com a independência do Brasil elevou-se à
categoria de capital da Província de Santa Catarina.
Como
conseqüência, foram fundados vários núcleos no interior da Ilha,
cuja herança cultural é muito forte, expressando-se nas diversas
manifestações populares, além das paisagens características,
expressa nos conjuntos de habitações rurais, engenhos, igrejas e
fortes. que podem ser visitados.
Entretanto,
neste cantinho que é a Ilha de Santa Catarina, pela sua
peculiaridade de cidade portuária e suas belezas naturais, foram
abrigados também minoritários contingentes imigratórios além dos
portugueses. Como é o caso dos espanhóis, gregos, alemães,
italianos, poloneses, árabes, sírio-libaneses, africanos, que ao
chegarem ao Brasil, primeiramente desembarcavam no Porto do Rio de
Janeiro, mais tarde depois de cumprido uma etapa de adaptação na
Ilha das Flores, rumavam para Florianópolis. No Porto de Nossa
Senhora do Desterro, importante centro comercial da época, os
imigrantes eram encaminhados para o Escritório da Administração da
Imigração na cidade, que ficava situada na parte continental
conhecida como “Saco da Lama” ou “Hospedaria dos Imigrantes”,
atual Portal Turístico da Cidade.
Verifica-se
que principalmente os gregos, alemães e poloneses no final do século
XIX e início século XX, já tinham constituídos instituições
representativas de suas etnias como é caso da Igreja Ortodoxa Grega,
na Rua Tenente Silveira, o Clube Caça e Tiro Alemão, na Av. Mauro
Ramos e a Sociedade Polonesa “Constituição 3 de Maio”, na Rua
Duarte Schutel, nº 55.
De
acordo com Titericz (1994) merece registro especial que o primeiro
polonês a pisar na Ilha de Santa Catarina foi o emigrado político,
jovem e nobre Roberto Von Trompowsky, que chegou a vila do Desterro
por volta de 1830. Originário da região da Cracóvia,
posteriormente casou com Dona Felicidade Prudência da Costa, gerando
ilustres descendentes de poloneses no magistério, magistratura, forças
armadas e belas artes.
Aprofundando
suas pesquisas e estudos, Titericz (1994, p.34) observou que [...] em
1888, os livros de registro da Paróquia Matriz de Nossa Senhora de
Desterro, a Catedral de Florianópolis, assinalam o início da presença
de imigrantes poloneses na Ilha de Santa Catarina.
Assim
a cidade de Florianópolis, no limiar do século XIX e no início do
século XX, também já convivia com várias famílias de origem
polonesa, cujos sobrenomes com sons sibilantes já ciciavam nas rodas
sociais, culturais e comerciais destacando-se os Kowalski, Dobes,
Szpoganicz, Sobierajski, Maykot, Wolowski, Grams, Berka, Opulska,
Szymanski, Dubiela, Ostrowski, Kaminski, Levendoski, Ligocki,
Mironski, Kinceski, Drill, Kliemazok, Konescki, Rubik, entre outras.
Kowalski
Sobrinho (1990), por sua vez demonstra que [...] por volta de 1890
desembarcaram no Brasil quatro irmãos da família Kowalski, oriunda
da cidade de Lódz, no centro da Polônia. Do grupo, apenas o mais
jovem Antônio, optou pelo Paraná, encerrando sua viagem
em Curitiba. Os
demais, João, José e André, aportaram na Ilha de Santa Catarina,
então Desterro, onde começaram a formar um sólido e respeitado núcleo
de pioneiros poloneses.
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Unindo-se
em propósitos comuns, os poloneses que optaram por Florianópolis
chegaram a ter uma Associação Cultural e Social, fundada no dia 16
de julho de 1899,chamada
"Sociedade 3 de Maio", a qual funcionava na Rua Duarte
Schutel, nº 55, bem no centro da capital dos catarinenses, cuja
construção arquitetônica ainda permanece incólume, sobrevivendo
aos arranhas céus construídos ao seu redor. Trata-se, pois, do único
ícone existente, que marcou a presença dos poloneses no longínquo
ano de 1899 em Florianópolis.
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Confirmando
a presença dos poloneses em Florianópolis, o Jornal O Dia, editado
no dia 22 de setembro de 1918 e que circulava na capital catarinense,
registrava a seguinte notícia em suas páginas:
"Pelo
facto do reconhecimento da independência da gloriosa Polônia pelo
governo brasileiro, esteve em Palácio uma commissão do Centro
Polaco desta Capital que foi levar ao Sr. General Felippe Schmidt,
Governador do Estado, a seguinte moção: “Exmo. Sr.”. General
Governador do Estado. O Centro Polaco “Constituição 3 de Maio”,
aqui constituído há dezenove annos, sempre respeitador das leis
deste nobre e hospitaleiro paíz tem a honra de significar a V. Exa.
os protestos de sua especial consideração em face do acto do
Governo Federal, reconhecendo a Independência da Polônia, solidária
ao gesto das nações alliadas, a cujo número o Brasil se incorporou
com a divisão de uma armada, ligando o sangue generoso de seus
marinheiros ao caudal de sangue que tinge as terras da Europa.
Digne-se V. Ex. acceitar os protestos de nossa mui carinhosa
consideração com a nossa absoluta fidelidade ao Brasil. Saúde e
Fraternidade. (Ass) Presidente Miguel Kaminski; Secretário João
Maykot; Porta Bandeira, José Kliemazok; Membro da Syndicancia, André
Kowalski."
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Barreto
(2006), por sua vez identifica que no ano de 1895 o Sr. Miguel
Sobierajski já vivia em Florianópolis, trabalhando na recém
fundada Fábrica de Pontas "Rita Maria", sendo considerado
um operário pioneiro que ajudou a implantar esta atividade fabril na
Capital dos Catarinenses. Havia também na subida do "Morro do Céu",
na atual Rua Jairo Callado, a Rua dos Polacos, onde morava o Senhor
Wenceslau Kinceski e, que segundo moradores, o pioneirismo na parte
baixa deste "Morro" histórico de Florianópolis está
associado aos brancos de origem italiana e polonesa. Assim como os da
família Grams que vieram dos Estados Unidos como operários
especializados, com vistas à montagem da Ponte pênsil Hercílio
Luz, inaugurada em 1926, e que depois decidiram permanecer na cidade.
Deve-se
também lembrar, segundo Wachowicz (1970, p.43) “[...] da mesma
forma e com a mesma rapidez com que resolveram emigrar, após as
primeiras adversidades no Brasil, mudavam de idéia e desejavam
voltar à terra natal. Na cidade de Desterro, atual Florianópolis,
na hospedaria local, os pedidos nesse sentido dirigidos às
autoridades brasileiras também eram numerosos [...].”
Assim,
conforme afirma Titericz (1994, p.39), “um
grande número de imigrantes poloneses se estabeleceram
provisoriamente em Desterro até que a situação acalmasse na Polônia”.
Com os ganhos do trabalho, pretendiam retornar um dia, porém este
sonho não se realizou, restando tão somente permanecer
definitivamente no Brasil e como observa Titericz (1994, p. 40)
“[...] em conseqüência estabeleceram uma pequena colônia
polonesa em Florianópolis.”
Posteriormente,
nos anos seguintes como refluxo das colônias polonesas do interior
do Estado de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, registra-se
a vinda de várias famílias de descendentes de poloneses, que se
estabeleceram na Ilha de Santa Catarina: Falkoski, Angulski,
Zuchowski, Titericz, Iacovski, Brzezinski, Opala, Przysiada,
Domareski, Szulc, Rathje, Zytkvewisz, Studinski, Wiecko, Blaskiviski,
Jenczak, Rzatki, Piasecka, Till, Kozuchovski, Sudoski, Roczanski,
Piscorski, Wosgraus, Abramovicz, Skrenski, Schivinski, Laskos,
Makowiecky, Wosny, Bilinstk, Walendowsky, Slovinski, Novacki,
Kukulkla, Makowiecky, Kluczynski, Novacki, Labanowski, Iaczinski,
English, Woyakewicz, Slepach, Dobrowolski, Maciorowski, Milak, Rossa,
Guzenski, Wyrobek, Niedezielski, Witoslawski, Tarnowski, Marcinko,
Wolski, Novakoski, Cizeski, Palanowski, Rutkowsky, Kurzawa, Pundek,
Toczeck, Danielski, entre outras que contribuíram nas mais diversas
áreas do conhecimento, para o desenvolvimento econômico, social e
cultural da cidade de Florianópolis.
É
visível que os descendentes de poloneses, radicados no Brasil e
em Santa Catarina
, jamais esmoreceram, assim como seus compatriotas que reconstruíram
das cinzas cidades medievais, preservando a nação e a cultura
polonesa, ao som de sonatas, polanaieses e mazurkas,
compostas pelo inigualável compositor Fréderic Chopin, ou ainda da
contribuição visionária para a ciência do astrônomo polonês
Nicolau Copérnico e dos ideais de liberdade do Sindicado
Solidariedade conduzido pelo valente operário Lech Walesa.
Entretanto,
deve-se ressaltar que poucos saberiam sobre a Polônia se Karol
Wojtyla, o Papa João Paulo II, não tivesse envergado a mitra papal
e viajado pelo mundo com seu carisma. O fato reacendeu a auto-estima
dos poloneses no mundo inteiro e dos que viviam em solo brasileiro e
catarinense.
Dentro
deste contexto, um grupo de idealistas resolveu fundar no dia 06 de
março de
1991 a
Sociedade Polônia - Towarzystwo Polonia, com a finalidade de
congregar, agora no limiar do século XX, poloneses, seus
descendentes e simpatizantes, visando preservar e difundir os valores
da milenar cultura polonesa no seio da sociedade Florianopolitana,
editando inclusive a partir de julho de 1992 um jornal em língua
portuguesa, denominado “Gazetka Polska”. |
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Graças
ao Papa João Paulo II, ocorreu um renascimento dessa consciência étnica
e a Sociedade Polônia de Florianópolis, fundamentalmente foi criada
para um novo despertar do espírito de ser polonês, onde a
auto-estima do grupo foi visivelmente externada.
Este
novo estímulo e entusiasmo foi marcante e inesquecível quando da
visita histórica do Papa João Paulo II à Florianópolis em outubro
de 1991, observado por Pereira (1992, p. 51), [...] homenagens foram
prestadas pela Sociedade Polônia, nas imediações do Bar Koxixo, já
na metade do trajeto,
em plena Beira
Mar
Norte. Cerca de 60 descendentes de poloneses exibiram uma faixa
vistosa “TOWARZYSTWO POLONIA W FLORIANÓPOLIS”. Em letras
gigantes: “ZYCZY NIECH OSCIEC SWIETY ZYIE STO LAT”. Em português;
“SOCIEDADE POLÕNIA DE FLORIANÓPOLIS”, “DESEJA QUE O SANTO
PADRE VIVA 100 ANOS”. Enquanto isso cantavam felizes, em coro,
“STO LAT”, “QUE VIVA CEM ANOS, o equivalente polonês ao
“Parabéns a Você”.
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Descendentes de Poloneses saúdam na Av. Beira Mar Norte em Florianópolis, o Papa João
Paulo II quando de sua visita histórica à Santa Catarina nos dias 16 e
17 de outubro de 1991
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A
Sociedade Polônia de Florianópolis, de certa forma dá continuidade
a antiga Sociedade 3 de Maio,pois
tem procurado, desde a sua fundação, satisfazer as diferentes
necessidades de seus associados, na maioria descendentes de poloneses
de primeira, segunda, terceira e quarta geração, desenvolvendo ações
que visam principalmente a preservação da língua polonesa e das
demais manifestações da cultura e das tradições polonesas, sempre
com muita qualidade e criatividade.
Neste contexto, a imprensa catarinense sempre atenta aos
eventos culturais de nossa terra, assim manifestou-se na edição do
Jornal “O Estado” do dia 26 de outubro de 1993: “Há
muito tempo não se via o teatro do CIC lotado. Pois foi o que
aconteceu sábado com o espetáculo do Conjunto de Canto e Dança
JUNAK de Curitiba-PR, que apresenta números do folclore polonês. O
público aplaudiu de pé”.
Eventos
como este e tantos outros passaram a incorporar o cotidiano de muitas
famílias que viviam de certo modo isoladas e esquecidas em várias
comunidades espalhadas pelo Brasil e em particular no Estado de Santa
Catarina e na Região Metropolitana da Grande Florianópolis.
Em
que pese este ostracismo, estas famílias sonhavam alto porque
conheciam a história da nação polonesa, pois ainda que
desmembrada e ocupada, mostrou a Polônia extraordinária vitalidade
em todos os domínios da Cultura e Civilização e conseqüentemente não se contentavam e se intimidavam contra os que
apelidavam de “polacos sem bandeira”.
Como vimos, tanto os imigrantes poloneses que aportaram de
forma pioneira na Ilha de Santa Catarina, quanto os migrantes na
condição de descendentes, buscaram através das Sociedades um espaço
para compartilhar suas alegrias e os feitos de seus antepassados,
seja nas artes, no folclore, na culinária, na literatura, na ciência.
Esta
Polônia que trouxeram no coração, era a força e inspiração para
novos tempos em terras novas.
Portanto
este momento que estamos vivenciando, quando esta novel sociedade
completa 18 anos de existência, permite que a gente polaca, aliada
à riqueza cultural e à privilegiada paisagem natural que compõe, não
só a bela Ilha de Santa Catarina, mas todo o território estadual,
continue contando e escrevendo a sua história e apresente sua
cultura aos demais grupos étnicos formadores da gente catarinense
que, unidos e integrados, acabaram por fazer deste pedaço do Brasil
um maravilhoso lugar para se viver.
Vida
longa à Sociedade Polônia de Florianópolis – Nazdrowie !!!!
Referências:
BARRETO,
Maria Teresinha Sobierajski. José Sobierasjki – Centenário de
Nascimento. Gazetka Polska,
n 60 set/out. 2006.
CÂMARA,
Lourival. Estrangeiros
em Santa Catarina. Separata
da Revista de Imigração e
Colonização, n.
4, a
. I, 1940. Florianópolis: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
– Departamento Estadual de Estatística
Jornal O Dia, Biblioteca Pública
do Estado de Santa Catarina,1918.
TITERICZ,
Ana Paula. A Presença Polonesa
em Florianópolis. Trabalho
de Conclusão do Curso de História – UFSC. Florianópolis,
1994.
WACHOWICZ,
Ruy Christovam. Conjuntura Emigratória Polonesa no Século XIX. Anais
da Comunidade Brasileiro-Polonesa, vol. I, Curitiba: Imprimax
Ltda, 1970.
SOBRINHO,
Antônio Kowalski. Ilhéu, acima de tudo. Florianópolis: Jornal O
Estado, Edição do dia 28/10/1990.
PEREIRA,
Moacir. O Profeta da Esperança.
Lunardelli: Florianópolis, 1992.
Jornal O Estado. Florianópolis:
Edição de 26 de Outubro 1993, página 4.
em
29-11-2009
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CATARINA
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